18 Novembro 2009

O medo que FHC tem da comparação

Na Espanha, em entrevista ao "El País", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso retoma o mantra tucano - nunca abandonado, diga-se de passagem, muito pelo contrário - de que não há diferença entre as políticas econômicas dos oito anos do tucanato sob a sua presidência e as seguidas na gestão do presidente Lula.

Surpreendentemente, como registram as agências internacionais, FHC não atacou o governo do presidente Lula. Ele insistiu numa mesma tecla: a de que não há diferenças entre os dois governos. Pelo contrário, insistiu, ele e o presidente Lula são os patronos da implantação do "modelo social-democrata no Brasil", alternativo, segundo FHC, ao chavismo no continente.

"Que diferença há entre meu governo e o de Lula, no modelo econômico? Muito pouca. É basicamente social-democrata, quer dizer, respeito ao mercado - sabendo que o mercado não é tudo - e políticas sociais eficazes", perguntou (e respondeu) o ex-presidente brasileiro.

É a velha tentativa deles (tucanos) de escapar da comparação entre os dois governos, tema inevitável da campanha eleitoral ano ano que vem. O que é tudo que eles não querem porque, como diz a candidata do PT e da base aliada à presidência da República, a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff "o governo Lula dá de 400 a zero" no de FHC.

Essa entrevista e os temas abordados fazem parte da tentativa de FHC de se colar na imagem de Lula, depois do fracasso na tentativa de desconstruí-la. E, óbvio, com a entrevista ele passou mais uma vez o recado a seus companheiros tucanos de que não podem aceitar uma campanha eleitoral em 2010 que tenha como agenda, como tema central, a comparação entre os governos Lula e FHC.

Por ZD

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